quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Veneno de cobra vale vinte vezes mais que ouro
Os venenos de cobra estão entre as commodities mais valiosas do mercado. A indústria farmacêutica chega a pagar até US$ 500 pelo grama do veneno cristalizado de jararaca, jararacuçu ou cascavel. Isso eqüivale a 22 vezes o preço do grama de ouro. Mas a atração do negócio é proporcional aos seus riscos. Os investimentos para erguer e manter um criadouro estável são altos, as cobras morrem com facilidade e o mercado é fechado. Os laboratórios exigem altos padrões de qualidade e não alardeiam seu interesse pela substância, cuja lista de utilizações vai muito além da produção de soros.
Entre os criadouros comerciais registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) constam 14 empreendimentos com serpentes. Vários deles nem entraram em operação comercial ou foram desativados. O maior criadouro do País funciona há 20 anos em Uberlândia (MG). É o Pentapharm, controlado por uma empresa suíça que fica com todo veneno produzido. O veneno é cristalizado e exportado. O preço do grama não é revelado.
São cerca de cinco mil cobras, todas da espécie jararacuçu (Bothrops moojeni). Cada uma delas produz, em média, cem miligramas de veneno por mês. O Pentapharm fatura, no Brasil, em uma estimativa modesta, pelo menos US$ 200 mil mensais. 'Até 1999, tínhamos 12 mil cobras no criadouro', afirma Juscelino Rodrigues, gerente técnico do Pentapharm. 'Mas era difícil manter a qualidade e a produtividade'. Rodrigues diz que o plantel diminuiu, mas não a produção. O Pentapharm chega a extrair 300 miligramas de veneno de algumas serpentes. Como a extração é um processo traumático para o animal é feita apenas uma coleta por mês.
Os venenos das serpentes brasileiras, sobretudo as jararacas, são misturas biológicas complexas de toxinas, enzimas e outras substâncias ativas. Muitos desses componentes têm funções essenciais na coagulação sangüínea, pressão arterial, agregação plaquetária, transmissão do impulso nervoso, funções analgésicas e anti-cancerígenas e outras ainda em fase experimental ou por serem descobertas. Por isso, os venenos são usados como ferramentas de diagnóstico e remédios. O veneno de cascavel é utilizado em uma eficaz cola cirúrgica.
Um dos mais ambiciosos projetos de produção de veneno de serpentes já desenvolvidos no Brasil está em fase adiantada de implantação na Bahia. O criadouro da Fazenda Santo Antonio da Vertente, em Jussari, na região cacaueira do Estado, tem por objetivo não só a comercialização do veneno bruto, mas também a venda dos componentes ativos fracionados: certas substâncias chegam a custar US$ 3 mil o grama no mercado farmacêutico internacional.
O empresário Paulo Adami Carletto já investiu US$ 455 mil no negócio. O início da operação está previsto para outubro, quando, segundo o empresário, já terá saído a licença de funcionamento do Ibama. Para assegurar o sucesso da empreitada, o empresário cercou-se de especialistas, entre eles o pesquisador Aníbal Melgarejo, chefe da divisão de animais peçonhentos do Instituto Vital Brazil (RJ).
No início, o criadouro contará com um plantel de 700 serpentes, das quais 300 cascavéis, 225 malhas de sapo, 50 jararacas e 25 jararacuçus. As instalações ocuparão uma área de 7,36 hectares. O projeto contará ainda com 60 jibóias e 40 salamantas, que serão comercializadas como animais de estimação.
A produção projetada para a primeira fase é de 500g de veneno liofilizado por ano. Mas a intenção de Carletto é ampliar o plantel para cinco mil cobras dentro de dois anos, o que deverá proporcionar uma produção anual de 1,5 Kg de veneno. O volume, calcula o empresário, é suficiente para gerar 150g de princípios ativos.
No Brasil, as jararacas habitam do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul e são catalogadas em quase 30 espécies. A população de serpentes é bastante alta na região cacaueira, já que os cacauais atraem ratos, alimento preferidos das serpentes. No Pentapharm há uma criação de 30 mil camundongos. Cada cobra adulta come três camundongos por mês. Em cativeiro, as jararacuçu vivem até oito anos. A idade produtiva começa aos dois anos e meio de vida.
A composição do veneno varia entre as espécies. Do veneno da Bothrops moojeni e de outras espécies de jararaca, por exemplo, é isolada a enzima Batroxobina, coagulante do fibrinogênio. A enzima foi utilizada pelo laboratório Pentapharm como agente tópico hemostático - com o nome registrado de Reptilase - e também de forma sistêmica, para prevenir a formação e a propagação de trombos e aumentar a circulação capilar, com o nome de Defibrase.
Até agora, o fracionamento do veneno no Brasil só é feito por laboratórios ligados a universidades e institutos de pesquisa. O projeto da Fazenda Santo Antonio da Vertente será o primeiro da iniciativa privada, com fins comerciais e com uma meta de longo prazo, que é a de vir a produzir medicamentos genéricos. Apesar de considerar o projeto da Fazenda Santo Antonio da Vertente "um empreendimento sério", o pesquisador Melgarejo o considera um negócio de alto risco. 'Muitas empresas de biotecnologia estão pesquisando derivados sintéticos e a qualquer momento os componentes do veneno de serpentes podem ser substituídos', adverte.
ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
Parece que vender cobras com animais de estimação também é um bom negócio. O serpentário da Fazenda Santo Antonio contará com uma área de pets, dominada por jibóias. Paulo Adami Carletto, dono do projeto, diz que o mercado de cobras de estimação movimenta milhões de reais a cada ano. A cifra exata não é conhecida porque esse comércio é feito quase sempre clandestinamente.
O pesquisador Aníbal Melgarejo, do Instituto Vital Brazil, acredita mesmo que este pode ser um negócio bem mais atraente, em termos comerciais, do que a comercialização de veneno, já que se encontra em plena ascensão.
O negócio de pets é movimentado por filhotes de serpentes inofensivas, de espécies que se destacam pelo colorido, comportamento dócil e porte, caso da jibóia. Nos Estados Unidos e na Europa, sobretudo na Inglaterra, manter animais de estimação como esses já se tornou comum. Uma pesquisa realizada por Carletto, na Alemanha, mostrou que uma serpente adulta, de 6,5 metros de comprimento, de espécie brasileira, chega a ser vendida por US$ 250.
Entre os criadouros comerciais registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) constam 14 empreendimentos com serpentes. Vários deles nem entraram em operação comercial ou foram desativados. O maior criadouro do País funciona há 20 anos em Uberlândia (MG). É o Pentapharm, controlado por uma empresa suíça que fica com todo veneno produzido. O veneno é cristalizado e exportado. O preço do grama não é revelado.
São cerca de cinco mil cobras, todas da espécie jararacuçu (Bothrops moojeni). Cada uma delas produz, em média, cem miligramas de veneno por mês. O Pentapharm fatura, no Brasil, em uma estimativa modesta, pelo menos US$ 200 mil mensais. 'Até 1999, tínhamos 12 mil cobras no criadouro', afirma Juscelino Rodrigues, gerente técnico do Pentapharm. 'Mas era difícil manter a qualidade e a produtividade'. Rodrigues diz que o plantel diminuiu, mas não a produção. O Pentapharm chega a extrair 300 miligramas de veneno de algumas serpentes. Como a extração é um processo traumático para o animal é feita apenas uma coleta por mês.
Os venenos das serpentes brasileiras, sobretudo as jararacas, são misturas biológicas complexas de toxinas, enzimas e outras substâncias ativas. Muitos desses componentes têm funções essenciais na coagulação sangüínea, pressão arterial, agregação plaquetária, transmissão do impulso nervoso, funções analgésicas e anti-cancerígenas e outras ainda em fase experimental ou por serem descobertas. Por isso, os venenos são usados como ferramentas de diagnóstico e remédios. O veneno de cascavel é utilizado em uma eficaz cola cirúrgica.
Um dos mais ambiciosos projetos de produção de veneno de serpentes já desenvolvidos no Brasil está em fase adiantada de implantação na Bahia. O criadouro da Fazenda Santo Antonio da Vertente, em Jussari, na região cacaueira do Estado, tem por objetivo não só a comercialização do veneno bruto, mas também a venda dos componentes ativos fracionados: certas substâncias chegam a custar US$ 3 mil o grama no mercado farmacêutico internacional.
O empresário Paulo Adami Carletto já investiu US$ 455 mil no negócio. O início da operação está previsto para outubro, quando, segundo o empresário, já terá saído a licença de funcionamento do Ibama. Para assegurar o sucesso da empreitada, o empresário cercou-se de especialistas, entre eles o pesquisador Aníbal Melgarejo, chefe da divisão de animais peçonhentos do Instituto Vital Brazil (RJ).
No início, o criadouro contará com um plantel de 700 serpentes, das quais 300 cascavéis, 225 malhas de sapo, 50 jararacas e 25 jararacuçus. As instalações ocuparão uma área de 7,36 hectares. O projeto contará ainda com 60 jibóias e 40 salamantas, que serão comercializadas como animais de estimação.
A produção projetada para a primeira fase é de 500g de veneno liofilizado por ano. Mas a intenção de Carletto é ampliar o plantel para cinco mil cobras dentro de dois anos, o que deverá proporcionar uma produção anual de 1,5 Kg de veneno. O volume, calcula o empresário, é suficiente para gerar 150g de princípios ativos.
No Brasil, as jararacas habitam do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul e são catalogadas em quase 30 espécies. A população de serpentes é bastante alta na região cacaueira, já que os cacauais atraem ratos, alimento preferidos das serpentes. No Pentapharm há uma criação de 30 mil camundongos. Cada cobra adulta come três camundongos por mês. Em cativeiro, as jararacuçu vivem até oito anos. A idade produtiva começa aos dois anos e meio de vida.
A composição do veneno varia entre as espécies. Do veneno da Bothrops moojeni e de outras espécies de jararaca, por exemplo, é isolada a enzima Batroxobina, coagulante do fibrinogênio. A enzima foi utilizada pelo laboratório Pentapharm como agente tópico hemostático - com o nome registrado de Reptilase - e também de forma sistêmica, para prevenir a formação e a propagação de trombos e aumentar a circulação capilar, com o nome de Defibrase.
Até agora, o fracionamento do veneno no Brasil só é feito por laboratórios ligados a universidades e institutos de pesquisa. O projeto da Fazenda Santo Antonio da Vertente será o primeiro da iniciativa privada, com fins comerciais e com uma meta de longo prazo, que é a de vir a produzir medicamentos genéricos. Apesar de considerar o projeto da Fazenda Santo Antonio da Vertente "um empreendimento sério", o pesquisador Melgarejo o considera um negócio de alto risco. 'Muitas empresas de biotecnologia estão pesquisando derivados sintéticos e a qualquer momento os componentes do veneno de serpentes podem ser substituídos', adverte.
ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
Parece que vender cobras com animais de estimação também é um bom negócio. O serpentário da Fazenda Santo Antonio contará com uma área de pets, dominada por jibóias. Paulo Adami Carletto, dono do projeto, diz que o mercado de cobras de estimação movimenta milhões de reais a cada ano. A cifra exata não é conhecida porque esse comércio é feito quase sempre clandestinamente.
O pesquisador Aníbal Melgarejo, do Instituto Vital Brazil, acredita mesmo que este pode ser um negócio bem mais atraente, em termos comerciais, do que a comercialização de veneno, já que se encontra em plena ascensão.
O negócio de pets é movimentado por filhotes de serpentes inofensivas, de espécies que se destacam pelo colorido, comportamento dócil e porte, caso da jibóia. Nos Estados Unidos e na Europa, sobretudo na Inglaterra, manter animais de estimação como esses já se tornou comum. Uma pesquisa realizada por Carletto, na Alemanha, mostrou que uma serpente adulta, de 6,5 metros de comprimento, de espécie brasileira, chega a ser vendida por US$ 250.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
A Evolução Dos Seres Vivos
Sabemos Que É Uma Longa Historia Mais É Apenas Assim Que Intendemos A Evolução
Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), cientista francês, acreditava que os seres vivos tinham de se transformar para melhor se adaptarem ao ambiente. Assim, ele explicava que as girafas, no passado, tinham pescoço curto e, à medida que escasseava o alimento mais rasteiro, eram forçadas a esticar o pescoço para comer as folhas do alto das árvores. Com isso, o pescoço foi se desenvolvendo pelo uso frequente e a característica adquirida (pescoço cada vez mas longo) foi se transmitindo aos descendentes, de geração em geração. Depois de séculos, as girafas tinham, então, o longo pescoço que observamos nas girafas atuais.
Essa hipótese, para explicar como se desenvolveu o longo pescoço das girafas, não é aceita pela ciência. Você verá a seguir por que ela é considerada incorreta.
Os últimos dinossauros desapareceram há cerca de 65 milhões de anos e os primeiros seres da nossa espécie só surgiram no planeta há aproximadamente 200 mil anos. Nenhum ser humano, portanto, jamais conviveu com os dinossauros.
Os dinossauros dominaram a Terra
Os dinossauros dominaram a Terra durante aproximadamente 140 milhões de anos. Tinham formas e tamanhos diferentes. Alguns viviam em manadas. Uns eram herbívoros, outros carnívoros.
O Tyrannosaurus rex, era um temido predador. Com seus quinze metros de comprimento e dentes serreados de até dezoito centímetros, pertencia ao grupo dos terópodes. Os terópodes eram carnívoros e andavam sobre as duas patas posteriores. Suas patas anteriores (braços) eram curtas e a cabeça grande suportava longas mandíbulas.
Com a cabeça ocupando um terço do corpo, o Triceratops pesava até cinco toneladas e tinha nove metros de comprimentos. Era o maior dinossauro do grupo dos ceratopsídeos, dinossauros com chifres e um folho no pescoço. Os ceratopsídeos eram herbívoros e andavam em manadas.
Com 26 metros de comprimento e quinze toneladas de peso, o Diplodocus pertencia ao grupo dos saurópodes, os maiores animais que já habitaram a Terra. Eles eram herbívoros.
Os estegossauros pertenciam ao grupo de dinossauros que possuíam fileiras de placas nas costas e enormes espinhos na causa. Tinham cabeça e cérebro muito pequenos em relação ao corpo e também eram herbívoros.
Outros animais e plantas do passado
Além dos dinossauros, temos conhecimento da existência de outros animais e plantas do passado, como, por exemplo, o Arqueópterix, as samambaias gigantes e os ictiossauros. Os cientistas ainda tem dúvidas se o Arqueópterix foi um réptil do passado, um dinossauro com asas ou uma ave primitiva. A primeira hipótese é a que parece ser a mais provável.
O que é um fóssil?
Hoje podemos conhecer paisagens e seres vivos da Terra primitiva reconstituídos em histórias fantásticas de filmes e revistas. Mas, cientificamente, como podemos saber se esses seres existiram mesmo? Quais eram as suas formas e os seus tamanhos?
A descoberta de ossos, dentes ou esqueletos inteiros de animais extintos, enterrados no solo ou incrustados em rochas, é que tornou possível esse conhecimento.
A esse tipo de restos ou simples vestígios (exemplo: pegadas) de seres vivos chamamos fóssil. Estudando os fósseis, podemos descobrir como eram esses seres e como viviam.
Raramente são encontrados fósseis de animais ou plantas inteiros. Em geral, só partes duras, como ossos, conchas e carapaças, ficam incrustadas na rocha. Algumas vezes, os poros dos ossos são preenchidos por minerais como a calcita, por exemplo, mantendo-se assim a forma original. Em outros casos, ocorre a substituição completa do material original por minerais como a sílica.
Há também outro tipo de fossilização muito importante, que é a preservação dos próprios animais e de plantas em âmbar. Esses organismos foram englobados pela resina de um certo tipo de planta há milhões de anos. Claro que só animais menores foram fossilizados dessa forma, pois não conseguiram escapar das gotas de resina. Mesmo pequenos vertebrados, no entanto, já foram encontrados dentro das pedras amarelas e translúcidas de âmbar.
A importância dos fósseis
Estudando os fósseis e comparando-os com os seres atuais, os cientistas descobriram que os animais e os vegetais foram se modificando através dos tempos. Enquanto alguns tipos se extinguiram, outros sofreram transformações, dando origem aos que conhecemos atualmente.
O estudo dos fósseis auxilia a compreensão das modificações sofridas pelas espécies de seres vivos através dos séculos.
Seres vivos e adaptação
O rato-canguru é um pequeno roedor que vive no deserto. Durante o dia, esconde-se em tocas profundas e relativamente frias, saindo apenas à noite em busca do alimento. As fezes desse rato são relativamente secas e seus rins produzem uma urina muito concentrada, com pouca água. Não possuem glândulas sudoríparas e, portanto, não suam.
Nos desertos, o dia costuma ser muito quente e a disponibilidade de água é pequena. Escondendo-se de dia em tocas frias e perdendo pouca água através de fezes secas e de urina concentrada, além de não suar, o rato-canguru consegue viver e se reproduzir no deserto. Diz-se, então, que ele está adaptado às condições desérticas, isto é, possui uma série de características que contribuem para a sua sobrevivência e reprodução naquele ambiente.
Da mesma maneira, as raposas do Ártico estão adaptadas para viver naquele ambiente, onde o frio é muito intenso. Entre outras características, esses animais possuem muitos pêlos longos e lanosos e uma grossa camada de gordura sob a pele. Esses pêlos e a camada gordurosa dificultam muito as perdas de calor para o meio, contribuindo para a manutenção de temperatura do corpo.
Mas ratos-cangurus provavelmente não sobreviveriam no Ártico, nem raposas-árticas no deserto. Na natureza, s seres vivos estão adaptados ao ambiente em que vivem. Num outro ambiente ou quando o ambiente em que vivem muda, as mesmas características que lhe eram favoráveis podem se mostrar inúteis e até mesmo prejudiciais.
Por isso quando vemos informações através dos meios de comunicação que uma região vai ser inundada, por exemplo, para a construção de uma usina hidrelétrica e que o meio-ambiente sofrerá consequências, estamos falando que os animais adaptados àquela região provavelmente irão morrer em razão da mudança de habitat e condições climáticas.
O conceito de seleção natural
Em uma cidade inglesa chamada Manchester, em meados do século XIX, antes da industrialização da cidade, viviam mariposas de uma certa espécie: algumas claras e outras escuras. Mas o número de mariposas claras era muito maior.
Depois que a cidade se industrializou, verificou-se o contrário: o número de mariposas escuras passou a ser muito maior. O que teria acontecido?
Antes da industrialização da cidade, o ar não era poluído. Não havia fuligem escura das fábricas; os troncos das árvores eram recobertos por liquens claros. Nesse ambiente de "fundo claro", as mariposas claras passavam mais despercebidas do que as escuras, quando posavam, por exemplo, numa árvore. Assim, pássaros insetívoros visualizavam melhor e devoravam mais as mariposas escuras. Dai, o grande números de mariposas claras em relação às escuras. A coloração clara era, portanto, uma característica favorável para as mariposas que viviam naquele ambiente.
Mas veio a industrialização. E o ambiente mudou. A poluição praticamente eliminou os claros liquens que recobriam o tronco das árvores. A fuligem contribuiu para dotar o ambiente de um "fundo escuro". Nessa nova situação, eram as mariposas escuras que passavam mais despercebidas; as claras, facilmente identificadas pelos pássaros, eram mas devoradas. O número de mariposas escuras, então, se tornou maior e a sua coloração passou a representar a característica favorável.
Pelo exposto acima, podemos concluir que as mariposas apresentavam uma variabilidade de cores: algumas eram claras e outras eram escuras. O ambiente atuou selecionando essa variabilidade: antes da industrialização da cidade, as mariposas claras eram as mais bem adaptadas ao meio; tinham maiores chances de sobreviver e de gerar um maior número de descendentes. Depois da industrialização da cidade, o ambiente mudou e o critério de seleção também mudou: as mariposas escuras é que passaram a ser as mais bem adaptadas ao meio.
Chama-se seleção natural esse mecanismo de o ambiente selecionar os organismos que nele vivem; os indivíduos portadores de características favoráveis tem maior chance de sobreviver e deixar descendentes férteis, enquanto os portadores de características desfavoráveis tendem a ser eliminados, pois terão menos chances.
O conceito de seleção natural foi idealizado pelo cientista inglês Charles Darwin. A teoria da evolução tornou-se realmente aceitável para o mundo científico somente depois do trabalho desse cientista.
O que é evolução?
O processo de transformação pelo qual passam os seres vivos, incluindo a origem de novas espécies e a extinção de outras através dos tempos, chama-se evolução. Esse processo vem acontecendo desde que a vida surgiu na Terra.
Como vimos no capítulo anterior, acredita-se que os primeiros seres vivos surgiram no mar há mais ou menos 3,5 bilhões de anos. Eram seres relativamente simples, unicelulares e heterotróficos.
Milhões de anos depois surgiram os seres unicelulares que já fabricavam seus próprios alimentos, usando a luz como fonte de energia. Muito tempo depois é que apareceram os seres pluricelulares, como as plantas e os animais.
Mas como surgem as diferentes características existentes entre uma espécie e outra de seres vivos? Mesmo entre seres de uma mesma espécie, por que, por exemplo, algumas mariposas são claras e outras escuras?
As várias características de um ser vivo são determinadas pelo material genético existente em suas células. Esse material genético compreende o conjunto dos genes que esse ser vivo possui. Os genes são formados pro substâncias chamadas de ácidos nucleicos. Simplificando, podemos dizer que temos, por exemplo, genes que determinam a cor dos nossos olhos, genes responsáveis pela cor de nossa pele, etc.
Acontece que os vários genes de um indivíduo podem ter sua estrutura alterada de maneira espontânea ou pela ação, por exemplo, de certas substâncias. Essas alterações que o material genético pode sofrer são chamadas de mutações.
As mutações permitem, então, o surgimento de características novas, que podem ser favoráveis ou não para a adaptação de um organismo no ambiente em que vive. Por meio da seleção natural, o ambiente modela uma determinada espécie, preservando os organismos que possuem características favoráveis para viver nele e permitindo que essas características sejam transmitidas a seus descendentes.
Como Sabemos Se E Venenosa Ou Não
Quais São As Diferenças De Cobras Peçonhentas (Venenosas) Para Não Peçonhentas
Também Aquela Serpente (Cobra) Que Fugir De Você Não É Peçonhenta
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